Evolução CTP: a verdade sobre as mudanças do Design Editorial

O que é CTP? Quais as mudanças da tecnologia da impressão? O que mudou no design editorial?

Houve um tempo em que design editorial era feito à mão; artesanal com colagens e sobreposições de recortes. A era dos fotolitos deixou muita gente pintando e colando com durex lâminas transparentes para economizar e não fazer “tudo de novo”.

O CTP, a que me refiro no título, é a sigla para “Computer to Print“, ou seja, o processo de pré-impressão e impressão que predomina nos dias atuais – tudo bem que tem gente dizendo que CTP significa Computer to Plate, Computer to Press… mas a essência prevalece.

O importante é revelar as transformações profundas que a tecnologia de impressão trouxe para os design editorial. A introdução do computador em produções gráficas já trouxe uma mudança profunda, mas eu me lembro ainda de usar um Machintosh e ainda receber fotos em cromo (um slide pequeno com a foto revestida de uma borda branca para manipular). Eu tinha que scannear o cromo para usa-lo digitalmente nos meus arquivos. E por que isso? Porquê a fotografia digital estava engatinhando… simples assim!

Hoje vivemos em melhores épocas. Todo o processo está digitalizado: fotos, ilustrações, tipos, arquivos, actions, snippets, libraries, colors profiles… e por aí vai. Mas isso tudo se refere as transformações no âmbito tecnológico e no âmbito pessoal de cada profissional envolvido?

Nesse post eu vou me restringir aos profissionais tidos como criativos, como por exemplo ilustradores, diretores de arte, fotógrafos e principalmente aos designers gráficos (ou produtores gráficos). Primeiramente porque a tecnologia transportou parte da responsabilidade da pré-impressão para o criativo. O profissional hoje deve dominar o processo de pré-impressão para enviar corretamente para o parque gráfico que realizará a impressão. Mais do que isso, essa tecnologia o libertou para ele publicar praticamente qualquer coisa, onde qualquer imagem pode ser manipulada, qualquer cor pode ser corrigida, qualquer tipo pode ser utilizado, distorcido para o efeito desejado… etc etc.

 

Isso trouxe uma liberdade de criação, que agora não mais se restringe por impossibilidades tecnólogicas. Mas também está trazendo uma nova cultura para o consumo midiático (da mídia). E isso é o mais importante de tudo! Essa nova cultura a que me refiro tem haver com a propria evolução das editorias dos grandes meios de comunicação.

Vou explicar melhor: O profissional de maior valor dentro de uma editora é o editor-chefe e ele representa uma publicação qualquer. Isso significa que ele dá uma “cara editorial” para uma revista, por exemplo. Há algum tempo atrás, essas editoras se preocupavam somente com essa identidade editorial, ou seja, com o conteúdo e a forma de abordar determinados temas. A responsabilidade da publicação residia quase que por completo nos jornalistas e redatores da mesma. Com o tempo e a evolução dos processos digitais (como o CTP citado acima), houve uma evolução e uma especial atenção foi dado aos profissionais de fotografia. Pois as revistas deveriam continuar com suas linhas editoriais mas também podiam ser bonitas, afinal o processo de reprodução de fotos tinha evoluído e era acessível.

Existe uma terceira onda que está valorizando cada vez mais o produtor gráfico. Aquele que ‘monta’ todos os pedaços deixados pelos produtores. Os projetos gráficos e a paginação estão sendo elevados para um patamar de mais respeito e valorização. Sim, digo respeito porque as vezes falta um comportamento desse tipo; não é raro os casos em que uma publicação sacrifica o tempo destinado em seu schedule para os produtores gráficos. O que inicialmente era pra ser de uma semana, se resumi a dois dias de trabalho. Por ser a última etapa de todo o processo de publicação, todos os acúmulos de atrasos nos outros processos, acabam por desafogar no produtor gráfico.

 

Muitos de vocês devem estar se perguntando: mas isso já não acontece? Esses profissionais já não são valorizados?

Na minha vida cotidiana e prática eu te respondo: sim, um pouco, mas ainda falta muito!!

Um ótimo exemplo dessa valorização é a ousadia que muitas publicações estão impondo em seus produtos. É verdade também que eles são movidos à inovação e uma tentativa incessante de fazer diferente; de se destacar do resto do mundo. Mas isso serve de alerta: O design editorial ainda tem espaço para se valorizar, não como técnica, mas como como conceito.

 

Para exemplificar tudo isso, eu vou colocar algumas capas do New York Times Mag, umas das publicações que estão ensinando como encarar mais essa evolução pragmática. Acompanhem:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Imgs “pile of magazines” e “Color management in print production” de Shutterstock.

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